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Letras Aventureiras

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

22.Mai.17

"Aquele Dia de Inverno" - Capítulo I

assasinato
Já está feito. Não posso voltar atrás.
O Philiph coloca-me o anel de ouro com o seu nome no meu dedo.
- Assim vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. - Diz o padre
Durante um tempo, os meus lábios colam-se aos de Philiph. A única coisa que me faz deixar de estar nervosa é ele!
É uma cerimónia pequena só com a família e amigos mais próximos, mas estou muito inquieta.
- Vamos querida? Temos de ir para o jantar! - Diz o Philiph
- Sim. - Sussurro - Amo-te.
- Eu também te amo Alexis! - Diz ele abraçando-me
Desço o altar que fora colocado no meu jardim. A minha irmã abraça-me.
- Parabéns Lexi! - Diz ela quase me esmagando contra si
- Obrigada Courtney! - Digo no tom mais feliz que consigo
Ela larga-me e olha-me bem nos olhos.
- Ok, Alexis o que se passa? - Sussurra
Reviro os olhos. Ela percebe sempre tudo.
- Nada. Apenas estou triste dos pais não poderem estar aqui. - Minto
- Vem com outra! Bem sabes que eu percebo quando mentes. - Diz-me ela - Desembucha!
Puxo-a para um lugar mais afastado das pessoas.
- Não sei! Esperava sentir-me melhor. Eu queria muito isto mas...
- Querias? - Diz a Courtney franzindo a sobrancelha
- Ainda quero, mas parece que já não sinto o mesmo pelo Philip. - Revelo
A Courtney passa a mão pelo meu cabelo negro.
- Escuta, achas que casar é fácil? Aposto que todas as noivas se sentem estranhas no dia do casamento. - Sorri ela - Vais ver que amanhã é um dia melhor.
Retribuo o sorriso.
- Acho que sim.
Ela abraça-me outra vez.
- Então agora vamos aproveitar a festa e deixa-te disso. - Diz ela agarrando-me e empurrando-me para o meio da multidão
Seguiu-se uma boa hora de conversa com todos os convidados. Os pais do Philip pareciam contentes e deram-me um cheque bem carregado de dinheiro: "É para as tuas necessidades!", disse a mãe dele.
O resto foram só tios, primos, amigos e outros convidados.
A noite já estava a chegar quando nos encaminhamos para um dos restaurantes da cadeia deles que os Morgan têm, os pais do Philip.
Fomos saudados com enormes aplausos e música. Estava tudo muito bonito.
Sentamo-nos e o jantar começa. Estão todos felizes, mas continuo a sentir-me estranha. Então, olho para o Philip. Ele está no telemóvel.
Ele repara que eu estou a olhar para ele e bloqueia o telemóvel.
- Então querida, come! Pareces cansada. - Diz-me ele com um daqueles seus sorrisos
Sorrio-lhe de volta e começo a comer. Estou faminta!
Acabo a refeição e o animador da festa começa a cantar e diz num grito que perto da meia-noite os noivos vão dançar.
Essa dança foi aquilo que mais custou ensaiar para o casamento. Nunca tive jeito para a dança, então os ensaios eram um autêntico desastre, o que me provocava uma ligeira dor de cabeça e uma enxaqueca ao meu professor.
- Eu vou lá fora apanhar ar! Estou um pouco enjoado. - Diz-me o Philip
- Despacha-te! A dança é já a seguir. - Aviso-o
- Eu volto num segundo. - Diz ele beijando-me
Ele sai e vejo-o a agarrar no telemóvel.
A Courtney olha para mim e diz-me adeus.
- Já vais? - Grito-lhe
- Sim! Estou cansada e amanhã é dia de trabalho. Parabéns e gosto muito de ti! - Diz ela mandando-me um beijo
Converso com alguns familiares meus e olho para o relógio.
O Philip já devia estar cá.
- Senhoras e senhores, preparam-se, pois os noivos vão arrasar na pista de dança! Palmas para eles. - Diz o animador
Fico corada. Todos olham para mim surpreendidos, pois o Philip não está aqui.
Olho outra vez para o relógio. Ele está lá fora há cerca de meia hora.
- Desculpem, ele estava a sentir-se um pouco indisposto. Já volto. - Digo ao microfone
Saio e olho para a rua. Está a ficar frio. De repente, começo a reparar que está a cair neve. É uma noite de inverno.
- Olhem todos! Está a nevar! - Diz o animador dentro do restaurante.
Ando pelo jardim e não vejo o Philip em lado nenhum. Onde é que ele se meteu?
Cruzo os braços e olho em volta. Existe uma luz mais à frente. Será ele?
Caminho ao encontro da luz e vejo que é o telemóvel dele.
- Mas que raios? - Sussurro
O ecrã do telemóvel está estilhaçado. Fico nervosa e assustada. O que aconteceu?
Corro pelo jardim.
- Philip! - Grito - Philip!
Tropeço em algo grande e caio na relva. O vestido está todo sujo. Desbloqueio o telemóvel e ligo a lanterna.
- Philip! - Grito
Não pode ser. O Philip está aqui. Encontrei-o.
Mas está morto.

Calor

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