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Letras Aventureiras

De João Jesus e Luís Jesus, nomeados os mais jovens escritores portugueses em 2016.

25
Jul17

"O Piar da Coruja"

João Jesus e Luís Jesus
Coruja

Ele conseguia sentir aquilo passar-lhe pelas palmas das mãos e pelos nós dos dedos. Era repugnante.
O cheiro era muito forte. Cheirava a terror, cheirava a pecado, cheirava... a morte! E ele sentia-se arrepiado... Não queria sentir, cheirar e ver aquilo.
O rosto dela, estava branco como o cal. A boca um pouco aberta e mesmo ao lado dos lábios, outrora carnudos e vermelhos e agora brancos e secos, estava uma fina linha daquela substância vermelha já seca.
Os olhos estavam gélidos e parados. Já não via a floresta verde que já houvera neles, agora eram apenas cinzentos.
As mãos ainda estavam contraídas, frias e como todo o resto, brancas como a neve. 
Ele sentia-se mal! Sentia um estranho vazio, um buraco no peito, um abismo no coração. Sentia-se incompleto. Sentia-se culpado.
Fechou os olhos e verteu uma lágrima. Ele não a pode salvar. Já era tarde demais quando chegou a casa. Já o gatuno fugia pela janela quando ela caiu no chão morta, com uma facada na barriga.
Ainda o tentara agarrar, mas não conseguiu. Correu para a beira dela, a sua mulher, o seu maior amor. Antes desta dar o seu último suspiro, ele correu para ela, para que a última coisa que ela visse, fosse o seu rosto.
Com um sorriso, ele despediu-se dele. E quando isso aconteceu, ouviu-se um cantar triste, um pio de terror.
A coruja tinha piado.

Calor
24
Jul17

"Doentes" - Capítulo IV

João Jesus e Luís Jesus
Doentes

Levanto-me imediatamente mal o despertador toca. Está na hora! Hoje começa uma grande aventura!
O Sam está enfiado debaixo dos cobertores. Tenho pena dele! O dia de ontem foi horrível depois daquilo tudo! Vou me sentir tão mal por o deixar aqui sozinho...
Visto-me e agarro na mochila já pronta. Olho de novo para o Sam. 
- Vejo-te brevemente parceiro. - Sussurro dando-lhe uma pequena pancada nas costas
Faço um sorriso. Não queria deixar o Sam e o meu lar.
Abano a cabeça e saio do quarto. Desço para a cozinha e agarro numa maçã vermelha e saio porta fora. 
O carro da Heather já está cá fora. Reparo que ela se encontra lá dentro. 
- Bom-dia seu arrastão! - Diz-me ela animada
- Nem demorei muito? - Explico entrando no carro
- O combinado era estar aqui às... seis da manhã em ponto! E agora são seis e meia. - Provoca ela
Rio-me e ela liga o carro.
- O plano é ir dez quilómetros de carro e a partir daí, temos de ir a pé. - Diz ela começando a conduzir
- Ok, eu sinto-me inútil por não ser eu a conduzir! Porque é que tens de ser tu a guiar o carro? - Pergunto-lhe
- Hum... se calhar o carro é meu! - Ironiza ela - E admite, as mulheres conduzem melhor.
Rio-me outra vez.
De repente, ela começa a acelerar e quando olho para trás, vejo a minha casa pequenina ao longe. Vou ter saudades!
Abro a janela e sinto o vento fresco da madrugada. Sabe tão bem! Cheira a selva, a terra molhada e ouvem-se os pássaros. É a melhor coisa do mundo!
- Então Dylan, vives com a tua irmã? - Pergunta ela
Começo a sentir-me nervoso.
- Sim. E com o meu melhor amigo e ainda com a Rose...
- Ah, aquela Rose. Coitada! - Suspira ela - E os teus pais? Onde vivem?
- Hum, eles já morreram... infetados. - Declaro com vergonha
Ela arregala os olhos e fica branca como o cal.
- Desculpa. - Diz ela
Fico calado.
- E tu? Vives com alguém? - Tento dar a volta à situação
- Eu?! Vivo sozinha na cidade, quer dizer, tenho o meu gato, o senhor Panquecas! - Diz ela surpresa
- Senhor Panquecas? - Começo a rir-me - A sério?
- Que é? - Diz ela ofendida - Já tenho saudades dele! Deixei-o com a minha mãe. 
- Ok, ok! - Continuo a rir - E namorado?
Ela faz um sorriso de vergonha.
- Estou bem assim. Antes sozinha do que mal acompanhada. - Revela ela
- É bem verdade. - Concordo - Então porque é que me estás a ajudar nesta busca?
- Já te disse! Se encontrarmos a cura, eu curo os meus doentes, assim como a tua irmã, ela é uma menina incrível! - Repete ela
- Então, obrigado! - Agradeço
Ficamos calados por um tempo. Estamos a sair da zona selvagem e já se começa a avistar uma zona mais rochosa.
De repente, sinto o carro abrandar.
- Hey, porque é que estás a abrandar? - Pergunto-lhe olhando em frente
O carro pára completamente.
- Hey, fazem o favor de saírem da frente? Que eu saiba, isto é uma estrada e não nenhum café! - Grita a Heather pela janela
Mesmo à nossa frente, encontram-se quatro homens barbudos com aspeto de contrabandistas. 
- Eu sei que vocês são palermas, mas não sabia que eram surdos! - Grita ela outra vez
De repente, eles começam a correr para nós e abrem as portas do carro.
- Larguem-me! - Grita a Heather
Eles arrastam-na para fora do carro. 
Um homem gordo, com barba negra e com um forte cheiro a tabaco, agarra-me no braço.
Dou-lhe um murro no nariz, que começa a sangrar. 
- Deixem-nos em paz! - Grito-lhe
Ele agarra-me na camisola e atira-me para fora do carro.
O resto do bando enfia-se nos bancos de trás e ligam o carro.
- Seus estúpidos! - Grita a Heather tentando correr atrás do carro, que começa a andar
Eles arrancam a toda a velocidade e a Heather desiste.
- Palermas! - Grita ela dando um pontapé numa pedra
- Raios! - Queixo-me
As minhas costas ainda estavam negras do assalto, mas agora estavam ainda pior.. Tinha caído mesmo por cima de uma pedra.
- E agora o que fazemos? Tinha algumas provisões no carro! - Choraminga a Heather
Ela repara em mim e corre para mim.
- Que se passou? - Pergunta ela preocupada
- Costas! - Gemo
Ela vira-me e levanta a camisola. Ela emite um pequeno gritinho.
- Tens sorte de não teres partido as costelas! Se eu tivesse o meu carro, colocava uma pomada nisso, mas como não tenho... - Diz ela colocando as mãos nas minhas costas
Grito de dor. Ela acabou de me estalar as costas.
- Ai! - Gemo
- Que é? Vais ver como te vai aliviar. - Desculpa-se ela
Realmente, uma sensação de liberdade espalha-se pelas minhas costas. Levanto-me devagar.
- Quantos quilómetros fizemos? - Pergunto curioso
- Três e meio. - Diz ela - Temos muito que andar Dylan!
Suspiro e agarro na minha mochila.

Calor

23
Jul17

"Deixar Alguém Feliz"

João Jesus e Luís Jesus
Feliz
 

Os seus cabelos estavam apanhados. Outrora foram loiros como o ouro, mas agora são quase cinzentos de tanta sujidade.
As suas roupas eram muito velhas. Se os seus cabelos eram sujos, as suas roupas eram imundas, estavam sempre negras de tanto andar ajoelhada. Muitas vezes ela tentou lavá-las, mas esta já não ganhava cor.
A pele das suas mãos estavam "queimadas" da lixívia. Era obrigada a lavar a casa de cima a baixo todos os dias, por isso a pele desprendia-se das suas mãos.
Mesmo assim, ela adorava o que fazia. Adorava deixar as suas governantas felizes. Ela sacrificava-se por elas dia e noite.
Todos os dias, a casa estava brilhante. Mais limpa era impossível! 
Mas as governantas eram malvadas e adoravam vê-la sofrer por elas. Elas obrigavam-na a levantar de madrugada para limpar o jardim, a parte de fora da casa e as adegas.
Quando acabava a manhã, ela era obrigada a lavar as janelas, o interior da casa e fazer várias lides domésticas.
Ela tinha um coração puro. Queria apenas dar felicidade a outras, mesmo que a felicidade delas fosse vê-la sofrer. 
 
Calor
22
Jul17

Resenha da 7ª Temporada de "Diários do Vampiro"

João Jesus e Luís Jesus
The Vampire Diaries

Como agora estou de férias e tenho muito tempo livre, resolvi começar a ver mais rapidamente a penúltima temporada desta série que acompanho desde Outubro e sempre com a vossa companhia.
Foi à pouco tempo que fiz a resenha da sexta temporada e agora chego com a resenha da sétima, pois devorei esta muito depressa.
Adorei esta temporada e já estou a ficar irrequieto pois estou perto do fim. Vai ser difícil dizer adeus.
Esta temporada contou com ainda mais algumas personagens sobrenaturais novas, como os hereges e a Caçadora.
Foi uma temporada muito excitante com uma história fabulosamente bem construída. Pensava que ia ser a pior das temporadas, pois a atriz principal, Nina Dobrev, que interpretava Elena, saiu da série. Mas os escritores da série conseguiram dar a volta e deu uma boa temporada, até boa demais!
É uma das minhas temporadas preferidas! 
A sexta temporada acabou com Elena adormecida num caixão até Bonnie morrer. Damon não suporta perder Elena, mas também não quer matar Bonnie, que é a sua melhor amiga.
Alaric está a passar por algo sombrio. Jo foi morta pelo seu irmão Kai, assim como os filhos de Alaric, que ainda estavam na barriga de Jo.
Alaric tenta tudo para voltar a ter a sua mulher. Ele encontra uma pedra estranha, que diz que pode ressuscitar os mortos. Chama-se Pedra da Fénix.
Stefan e Caroline estão cada vez mais próximos, mas existe um problema na cidade de Mystic Falls. Os Hereges de Lily, a mãe de Damon e Stefan, querem apoderar-se da cidade.
Matt retira todos da cidade e mente, dizendo que a cidade tem um problema com gás. Eles estabelecem um acordo com os Hereges, quem entrar em Mystic Falls, será morto imediatamente por estes. 
Enzo quer ficar junto de Lily, mas esta centra-se em encontrar o corpo de um tal Julian, que outrora fora o grande amor dela. Enzo tem ciúmes dele.
Bonnie consegue ressuscitar Jo, juntamente com Alaric, mas esta não parece a mesma. Eles descobrem que a Pedra da Fénix é um tipo de prisão para vampiros e que quem está dentro do corpo de Jo é uma vampira desconhecida.
Lily consegue recuperar o corpo de Julian e esta consegue ressuscitá-lo. Lily está preocupada, pois Damon está a tentar matar todos os Hereges.
Esta temporada conta com alguns flashbacks do passado e do futuro, e nesta temporada, todos os vampiros estão em perigo, pois Julian revela que existe a Caçadora e que mata todos os vampiros, colocando-os dentro da Pedra da Fénix.
Esta temporada é de cortar a respiração! Cheia de revelações surpreendentes...
Recomendo muito a visualização desta série!

Calor
21
Jul17

"Enquanto Corria"

João Jesus e Luís Jesus
fugir

O céu já estava a escurecer cada vez mais. Já se notavam uma ou duas estrelas no imenso véu azul escuro com algumas nuvens cinzentas.
Já havia pouca, ou quase nenhuma luz. Não se via quase nada.
Ouviam-se os sons dos veados, que saíam das tocas para procurar alimento. Os pássaros, aqueles pássaros medrosos, subiam para os seus ninhos para se reunirem com toda a sua família. 
Estava quase tudo calmo.
Um som de passos muito rápidos começou a ouvir-se. O veado escondeu-se, os pássaros calaram-se e foi aí que ele apareceu.
Um menino, com a cara suja da terra, arranhada pelos galhos pontiagudos das árvores. A sua roupa, talvez um pijama, estava quase completamente rasgada e não se conseguia distinguir as suas cores, devido à escuridão e à lama agarrada a ele.
Da sua toca, o veado viu que o menino aparentava ter medo. Não era um medo normal, ele estava apavorado. Os seus olhos estavam completamente abertos, a boca estava torta e com  os punhos cerrados, fazendo com que a suas unhas fizessem ferida na mão.
Duas lágrimas transparentes e gordas escorreram pela sua cara. 
- Tenho de... continuar! - Gemeu o menino
Recomeçou a sua corrida maluca. O veado decidiu acompanhá-lo sem ser visto.
O menino tropeçou num galho velho caído no chão. O veado teve pena dele.
- Raios! - Choramingou o rapaz
O veado sentiu o cheiro a sangue. O rapaz estava ferido, mas este não o ia ajudar, tinha medo.
O rapaz agarrou-se ao joelho e começo a chorar. De vez em quando, ouvia-se um ou dois gritos. O veado não percebia a razão do rapaz estar a fugir.
- Porquê? - Gritou esganiçadamente- Porque é que não consigo fugir a isto?
O veado não estava a perceber. A escuridão já era total e não conseguia distinguir as feições do rapaz.
- Porque é que não consigo fugir à tristeza? Porque é que ela me persegue sempre? - Gritou ele mais uma vez
O veado entendeu. O rapaz passou por algo muito triste e não sabia o que fazer.
O veado lembrou-se que o rapaz devia ter família, todos têm! Quem estaria mais triste? O rapaz ou os seus pais? 
Então, com vagar, o veado caminhou até ele pelo meio da escuridão até ao menino caído na terra.
O rapaz olhou para ele e um leve brilho de entusiasmo apareceu nos seus olhos. 
- Ainda bem que apareceste! Agora tenho alguém com quem falar... 
 
Calor
20
Jul17

"Crónica do João - Juntos Fazemos a Diferença!"

João Jesus e Luís Jesus
crónica

Este mês trago um tema que todos nós já devemos estar fartos de ouvir.
Todos os anos, por volta da mesma altura, cada vez que ligamos a televisão somos bombardeados em todos os canais com a mesma notícia: incêndios!
Mas este ano foi especial (no mau sentido). Aconteceu um dos maiores, senão o maior, incêndio em Portugal de que há memória.
Pedrogão foi a nossa companhia durante três semanas. Mostravam-nos o incêndio, davam notícias do estado deste, falavam com as vítimas... Foi muito triste saber que morreu imensa gente!
Rapidamente se instalou uma linha de apoio a Pedrogão, para que todo o país pudesse oferecer dinheiro e bens alimentares, vestuário e alguns bens para ajudar.
Em menos de 24 horas, os bombeiros de Pedrogão, pediam que não oferecessem mais nada, pois já não tinham mais espaço dísponivel. 
Gostei muito de saber isso! É ótimo saber que todas as pessoas ajudaram, nem que tenha sido com uma coisa muito pequena, mas já ajudaram!
Alguns dias depois de darem o incêndio como extinto, os canais televisivos ofereceram-nos uma grande "festa" que iria dar em direto em todos os canais e TODO -  todos os canais - estariam juntos pela primeira vez.
Adorei este gesto! Realmente é lindo ver que nestas ocasiões conseguimos todos unir-nos e deixar para trás os conflitos anteriores.
Foi um concerto muito animado. Contamos com imensos artistas conhecidos e no fim da noite, já tinham arrecadado mais de um milhão de euros para ajudarem às vítimas de Pedrogão.
Enquanto emitiam essa festa, víamos a emoção nos olhos da população de Pedrogão. Estavam bastante emocionados.
E quando esperávamos que depois do incêndio de Pedrogão não deviam vir muitos mais, eis que chegam mais um monte deles e alguns que reacenderam. 
Mais uma vez, todos se estão a juntar para os apagarem. Isto é para mostrar que a união faz mesmo a força. 
 
Por isso, não importa a grandeza da catástrofe, mas se estivermos todos juntos, conseguimos sempre passar por cima. 
 
Calor
19
Jul17

"O Amor Tem Que Ser Como Uma Gota De Perfume" - Ana Ribeiro

João Jesus e Luís Jesus
Amor

O Amor…
Deve ser como uma gota de perfume
Simples mas sofisticado
Leve
Frágil
Mas delicado

O Amor…
Deve ser pleno de transparência
Fazendo sobressair
A sua simples essência

O Amor…
Deve ser como a natureza
Deve ter a consistência
Da brisa das madrugadas
E aquela subtileza
 O aroma a terra molhada
Pela manhã bem fresca
Muita doçura e máxima pureza

O Amor…
Deve ter o cheiro a rosas
Dos fins de tarde de verão
E a envolvência
Dos últimos raios de sol
Na imensidão

Cada Amor…
Deve ser único e especial
Algo só nosso
Como se não se pudesse copiar
Que nunca nos esqueçamos
De o preservar.

O Amor…
Deve ser permanente
Como aquela pequena gota
Que nos envolve
E fica para sempre.

Texto de Ana Ribeiro, escritora e blogger do blog "Escreviver"

18
Jul17

"A Minha Companhia"

João Jesus e Luís Jesus
Companhia

Quando estou sozinho, apenas ele me consegue fazer companhia. Consegue fazer-me viajar para sítios que nunca descobrimos. 
Chamo-lhe livro. Não sei porquê, não encontro outro nome que lhe caia bem. Livro é ótimo.
Ele faz-me rir, chorar, desconfiar, aventurar, irritar e tantas outras coisas...
Abraço-me a ele quando me sinto sozinho. A sua capa pode ser fria, mas aquece-me por dentro.
E quando chego ao fim, apetece-me chorar. Nunca se quer acabar uma história, mesmo que queiramos saber o fim desta.
E quando quero lembrar-me de coisas boas, cheiro as suas páginas. Aquele cheiro de papel novo, aquele cheiro tão calmante que em faz imaginar uma biblioteca repleta de novas aquisições.
No fundo, sei que os livros devem ter uma vida com alguma coisa triste. Quando os acabamos, limitamos a enfiá-lo numa estante, esquecido, à espera que o tempo passe.
Os melhores amigos podem ser coisas inesperadas. Mas podem sempre ser os melhores.
 
Calor
17
Jul17

"Doentes" - Capítulo III

João Jesus e Luís Jesus
Doentes

A Heather pediu-me que me encontrasse com ela no próximo dia às cinco da manhã no seu consultório.
Ela contou-me que a cidade onde existia a suposta cura era numa cidade pequena, na América do Sul e muito escondida chamada Los Fonties. Vai ser uma grande aventura!
- Eu vou contigo Dylan! Já te disse! - Grita o Sam
- E vais deixar aqui a tua namorada a morrer sozinha? - Pergunto irritado
- Ela mentiu-me, ok? Nem sei bem como estamos. - Diz ele - Além disso, o hospital enviou-lhe carta de internamento, pois ela agora tem de estar sob vigilância, por isso ela está bem...
- Ok, eu compreendo! Mas não a vais deixar morrer sem ti... - Digo
Ele para e passa uma mão pela cara.
- Eu quero chegar a tempo com a cura, pá! - Grita ele furioso
Fecho a mochila com os meus mantimentos para a viagem e olho para ele furioso.
- Faz como quiseres, mas vou culpar-te se ela morrer porque a deixaste a morrer sozinha numa cama de hospital. - Revelo
Ele revira os olhos.
- Grande amigo que me saíste. - Diz ele saindo de casa
Começo a detestar o Sam. Quando os meus pais foram infetados o que eu  queria mais, era estar perto deles. Ele prefere afastar-se.
Saio de casa e vejo que o jipe dele já não está cá fora. Mas está um carro diferente cá fora, um carro cinzento.
Aproximo-me com cuidado e vejo que não está ninguém dentro.
- Ah, encontrei-te! - Diz uma voz feminina atrás de mim
Salto de susto e olho para trás.
- Credo! Parece que viste um fantasma. - Ri-se a Heather
- Pregaste-me um susto! - Digo recuperando-me
Ela ri-se e vejo que ela tem umas roupas simples e uma mochila nas costas.
- O que estás aqui a fazer? - Pergunto
- Então, eu vou contigo procurar a cura! - Revela ela muito animada
Começo a rir.
- Pára de gozar comigo. Sabes bem que vou sozinho. - Digo
- Isso era o que querias! Então eu digo-te o sítio onde pode estar a cura e tu não me deixas ir contigo? E além disso, não mandas em mim. - Explica ela - Quando partimos?
- Não existe nenhum "partimos"! Eu vou sozinho! Para que é que queres atravessar meio continente para descobrir uma cura que pode nem existir e nem é para ti? Ias usá-la em quê? - Digo
- Bem, eu sou médica e se souber que existe uma cura posso usá-la para salvar muitas vidas. - Explica ela - E bem sabes que eu não vou desistir, por isso desbobina...
Reviro os olhos. Não posso fazer mais nada.
- Parto amanhã de manhã. Ia agora ao hospital despedir-me da Rose. - Declaro
- Então, amanhã seis da manhã aqui! - Ordena ela - É melhor caminhar quando está fresco.
- Claro. Então, até amanhã. Vou ao hospital. - Digo começando a andar
- Fixe! Eu vou contigo! Preciso de buscar mais alguns medicamentos para nós. 
- Então, primeiro queres ir comigo à procura da cura e depois queres vir comigo visitar uma amiga ao hospital! - Rio-me - Vem daí! Mas eu conduzo!
Conduzo até ao hospital e entro no quarto da Rose. Ela está muito pálida.
- Oh Dylan! - Suspira ela - Olá!
- Então? - Pergunto ajoelhando-me perto dela
- Sinto-me fraca hoje! Cansada de tudo. Tenho um ardor no peito como se tivesse fogo vivo lá. - Explica ela muito ofegante
A Heather olha para mim com um olhar sinistro. Ela está a tentar dizer-me alguma coisa. Fico vazio por dentro quando percebo o que ela quer dizer. Ela não tem muito tempo.
- Vais ver que vai melhorar. - Minto
Ela sorri e tosse.
- Pára Dylan! Eu sei que já não tenho salvação. - Diz ela com um sorriso de dor - As manchas começaram a aparecer esta manhã, estou mesmo quase a... pronto... tu sabes!
As lágrimas começam a subir-me aos olhos.
- Eu não te quero perder Rose! Tu és como uma irmã para mim. Sempre estiveste ao meu lado. - Digo-lhe emocionado
- Eu também não me queria despedir deste mundo Dylan, mas não tenho opção... Descobre a cura por mim e pela Maggie. - Suspira ela - Onde está o Sam?
Fico com a boca completamente seca.
- Hum... Ele ainda está zangado contigo por causa disso. Desculpa. - Revelo-lhe com pesar 
Ela vira a cabeça para a janela e quando volta a virar tem os olhos cheios de lágrimas.
- Eu sou uma estúpida. - Conclui ela
- Não és nada. - Conforto-a
Ela começa a chorar.
- Hum Dylan! É melhor saíres daqui. - Diz a Heather
Olho para ela. A Rose ainda chora.
- Porquê? - Pergunto-lhe
- Sai Dylan! - Ordena ela começando a tocar no pescoço da Rose
- Porquê? - Grito
- Ela está a morrer! Sai e chama alguém! - Grita ela
Olho para a Rose que parou de chorar e começa a espumar da boca. Começam a aparecer manchas roxas na face dela.
Saio do quarto e chamo por ajuda. 
Olho para o medidor de batimentos cardíacos dela. Está a descer a pique.
Olho para o fundo do corredor e aí, o meu coração cai. O Sam corre para aqui.

Calor


16
Jul17

"Trapos"

João Jesus e Luís Jesus
Pobreza

Chegava bem antes do mercado abrir. 
Já todos o conheciam e também a sua triste história.
Sentava-se sempre no cantinho habitual à saída do mercado. Ele sabia que todos tinham de passar por ele e assim, todos viam como ele era.
Nos dias em que chovia, o chão do mercado ficava muito molhado e sujo. Como não tinha nada, o menino sentava-se em cima do chão frio e encharcado, ficando gelado. 
Fazia isto tudo para ter apenas uma coisa que parecia não ter valor nenhum. As pessoas achavam que ele queria aproveitar-se delas e dinheiro para gastar em coisas parvas.
Ele tomava banho à chuva. Usava sempre a mesma roupa, que já estava gasta e pequena. Era aquela roupa que o fazia lembrar dos tempos felizes que já tivera antes da sua família cair na miséria.
Era por causa dessa mesma roupa que ele se levantava cedo para se sentar à saída do mercado. Ele queria tê-la até ao fim dos seus dias.
Por isso, a única coisa que ele pedia a quem passava, era um simples trapo, para ele adicionar à sua roupa. Para quê? Para que esta nunca ficasse demasiado pequena e para tê-la para sempre.
Às vezes, as coisas mais inúteis para uns são demasiado valiosas para outros.

Calor

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Chamo-me João Jesus. Sou escritor e blogger! Sou português e habito num concelho do distrito de Vila Real! A leitura, a escrita e o filme são as minhas grandes paixões.

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Chamo-me Luís Jesus. Sou ilustrador e blogger. Adoro ilustração e tecnologia. Apesar de ser ainda novo, penso licenciar-me em informática.

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